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domingo, 1 de janeiro de 2012

terça-feira, 23 de março de 2010


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Tinham subido a encosta e apareceram subitamente à minha frente. Foi tão inesperado que primeiro nem a reconheci. Mas, não havia dúvida: era a D. Maria.

Com ela vinha uma criança. Linda. Às costas carregava um pequeno cesto cheio de amêndoas. D. Maria parecia protegê-la e lembrei-me da pintura em que um anjo da guarda vigia as duas crianças que atravessam uma frágil ponte de madeira.
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Mas de anjo D. Maria nada tinha. Olhou-me e, rispidamente, proferiu: -Trouxe-lhe a sua filha para que a conheça. E virando-se para a menina continuou, agora numa voz muito suave: -Milú, este é o teu pai. Podes entregar as amêndoas que touxeste para lhe oferecer.
A criança avançou para mim estendendo-me o cesto de vime e, num sussurro, olhando-me nos olhos perguntou: -És tu o meu paizinho?
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

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Esta noite sonhei que a D. Maria tinha um filme onde se via o fim da nossa relação.



Há tanto tempo que aconteceu, como fui sonhar com isso?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

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Estava fresca a noite, sem estar fria, e caminhei gozando os mil e um ruídos trazidos pela suave aragem, até que alcancei a orla da floresta. À minha frente estendia-se o espectáculo mais maravilhoso, mas também um pouco assustador, que os meus olhos alguma vez tinham contemplado. Vi estranhas montanhas e animais que nunca vira antes. Deixei-me ficar e ali dormi até que a claridade do dia me acordou suavemente.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

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Ontem veio visitar-me uma amiga de quem a D. Maria sempre teve muitos ciúmes.

Foi bom, passámos uma tarde muito agradável.

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segunda-feira, 6 de abril de 2009

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A D. Maria escreveu-me. Diz-me que depois de mim já outros passaram pela sua cama: que mesmo estando de corpo com eles, a sua cabeça está comigo. Coitada, a cabeça é o que ela possui de menos valor.





Diz-me que um dia despertarei ao som de campainhas que me farão reparar novamente nela com os sentimentos que antes tive.



myspace layouts

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Ainda não me percebeu que os sentimentos mortos não ressuscitam.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


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Por vezes ainda penso na D. Maria. Ela era muito chata e até um pouco parvita mas era boa pessoa. Quando se punha com aquelas conversas de ciúmes eu desaparecia-lhe num ápice e ela nunca chegou a saber como. E nessas alturas refugiava-me aqui na floresta e sabia-me bem o sossego longe da cidade e dela.

Bastava ela virar-me as costas para mexer a panela da sopa ou para apanhar a tesoura e cortar uma linha quando costurava, logo eu me escapulia numa fracção de segundo. Como? Nunca o percebeu mas era muito fácil. A saída secreta e directa para para a minha querida floresta era o fundo da cadeira mágica que a fada minha madrinha me ofereceu no dia do meu baptizado.

Mas recordo a D. Maria com alguma saudade. Os amores verdadeiros, mesmo quando terminados, deixam sempre qualquer coisa dentro de nós...

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

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Hoje vi passear na floresta uma criatura mais bela do que alguma vez a minha imaginação poderia criar. Montava um corcel que parecia ser mágico e a sua face era serena como uma manhã de primavera.



Vivo num mundo encantado onde se passam coisas maravilhosas.
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Não o trocaria por lugar algum.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

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Não pode ser somente andar pela floresta, correr, saltar, comer e pinocar.
É preciso também tratar do intelecto. Assim, fiz um blog e entretenho-me a visitar outros. Há alguns verdadeiramente interessantes, onde leio coisas maravilhosas e aprendo muito.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

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Na quinzena que antecedeu o Natal todo o pessoal parecia andar maluco. Era um corrupio constante, da floresta para a cidade, da cidade para a floresta.
E toda a gente se queixava, que a vida está má, que a crise está pior de dia para dia. E era vê-los a chegar todos os dias , com grandes embrulhos coloridos.
Os caminhos da floresta ficaram cheios de móveis, cadeirões, sofás, mesas e brinquedos, tudo ainda em bom estado, mas que eram substituídos por coisas novas.
E a crise aumentava sempre que mais móveis ou brinquedos lhes entravam em casa.



Eu com a minha falta de discernimento ainda não dei por ela. Também não admira, não dei prendas a ninguém. Se, por mais que eu diga que nada quero, todos me dão nesta época coisas que eu não quero para nada, ia eu fazer-lhes o mesmo? Nem pensar. E à criançada ofereci cadernos e, também, lápis que eu próprio fabriquei com pequenos galhos de árvore.

Fartam-se de desenhar e, quando já não lhes apetece brincam e saltam e andam contentes.


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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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O rato da cidade veio à floresta para passar o Natal com o primo. Mas, coitados, com os dois sozinhos a fazer os preparativos para a festa, a confusão tem sido grande. Sentem a falta duma rata.
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mensagens para orkut



mas, é época de boa vontade, o pai natal não se esqueceu deles:
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a rata chegou.
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cheia de amor.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008



.Mas por vezes é difícil a vida na floresta.





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domingo, 23 de novembro de 2008



qualquer dia começa a chover e fui a uma loja dos 300 comprar um chapéu de chuva.
o chinês disse-me: o xinhô leva um lindu pá rá plu iiiii. fiquei a saber como é que se diz guarda-chuva em chinês .

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

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recebi um postal muito lamechas em que ela me dizia que sente a minha falta e que morre de saudades.



que se lixe!

foi para o lixo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

estou só. atravessei a floresta com a jovem e levei-a a casa. a mãe, que ela me dissera viverem só as duas, agradeceu-me mas entre várias perguntas foi-me olhando sempre com ar desconfiado. retribui o olhar de desconfiança ao indivíduo que se encontrava sentado à mesa com um apetitoso manjar à frente. ensaiou também algumas perguntas sinuosas, às quais não respondi, pois nem se dignaram dizer-me quem ele era.

regressei a casa. adoro tudo o que me rodeia. estou só mas estou bem. que me importa que, por vezes, corra barrenta a água do rio?! não é dela que bebo e nem sei nadar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

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da minha janela olho a paisagem que me rodeia. mesmo as árvores que perderam já a sua folhagem, felizes, falam comigo.
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é aqui na floresta que me sinto bem.
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a jovem que me bateu à porta dorme no sofá enrolada num cobertor macio. a suave respiração faz-lhe subir e descer o peito quase imperceptivelmente.

olho a sua face delicada.
tenho tudo...
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

dormia a sesta. a chuva lá fora caía com força e o ruído ritmado embalava-me na minha modorra. acordei com alguém que batia à porta e uma voz que gritava:
-Ajudem, por favor ajudem.


abri e a rechonchuda jovem que se apoiava, cansada, na porta estatelou-se-me na sala.
- Ajude-me senhor coelho, o lobo vem atrás de mim!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

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Não, na verdade não há pachorra. Telefonou-me vezes sem fim: Que precisava muito que eu fosse lá arranjar e pintar umas coisas. Meti duas cenouras na algibeira, para a viagem, e pus-me a caminho. Horas!

Coitadita, está velha e senil. No balcão da cozinha tinha uma latinha de tinta e um pincel. Era para lhe pôr gesso num buraquinho da parede de onde caíra um prego e depois pintar.

Em cinco minutos despachei aquilo
e saí.

Mas deixei-lhe o chão cheio de caganitas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

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Preocupado com um possível novo dilúvio veio à floresta um guardador de livros. Construiu com madeira uma enorme embarcação onde meteu dois exemplares de cada livro que conseguiu encontrar.


Já antes, quando não era ainda guardador de livros, fizera o mesmo com animais, conseguindo com a sua acção preservar a fauna do planeta.
Bem haja.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sim,
vivo feliz na floresta.

Assim possa ela sentir-se.



Tenho novos amigos

e sinto-me útil.

Ensino a Capuchinho Vermelho

a evitar maus caminhos

e os passarinhos orfãos

a construir os seus ninhos.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ontem a noite foi de festa. Resgatámos o meu sobrinhito ao maluco do ilusionista e folgámos até raiar o dia.

A Bela, a minha irmã, estava feliz como eu nunca a tinha visto.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

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eu estava em paz com os meus, mas, um maldito ilusionista raptou o meu sobrinhito e escondeu-o em parte incerta.
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a minha irmã está inconsolável.

vamos partir à procura dele.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

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É difícil deixarmos de nos preocupar com alguém de quem muito gostámos. Mesmo depois de acabar o amor.
Custa-me sabê-la carente e a viver num mundo de fantasia, sempre sozinha e a imaginar que ainda vivo com ela.




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Assim, fui lá deixar-lhe um pequeno robot. Tem um ar ligeiramente amaricado, com uma blusinha cor de rosa às florinhas, mas agora fazem-nos assim para dar para os dois sexos. Trabalha a pilhas e aguenta-se meia hora, o que é bastante mais tempo do que o que eu aguento. Nesse aspecto ela fica a ganhar. E não só, com ele não precisa de andar sempre a varrer as caganitas.

Deixei-lho à porta e fugi rapidamente: tive medo de cair na tentação e ir ter com ela.

sábado, 6 de setembro de 2008

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aqui sinto-me em paz
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estou com os meus
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